As encantadas Ilhas Galápagos

Dando continuidade à série de matérias sobre a América do Sul, nossa amiga Valéria Cunha, jornalista, fotógrafa e gerente de comunicação da JB & Associados, nos conta mais sobre um dos destinos mais incríveis do continente: as Ilhas Galápagos, no Equador. As fotos que ilustram este artigo são dela e de Jaime Bórquez.

Há de se concordar com os exploradores espanhois que se diziam descobridores dos mares latinos. Realmente não existe como considerar outros adjetivos além de “Ilhas Encantadas” para o Arquipélago de Galápagos. Localizadas no Pacífico, a cerca de mil quilômetros da Costa do Equador, as inigualáveis ilhas, que formam o arquipélago, são responsáveis por aflorar em qualquer ser humano que as visitem, um sentimento de surpresa e encanto ao se deparar com tamanha diversidade de flora e fauna, num conceito perfeito de natureza prístina e singular.

O arquipélago que emergiu ao oceano há cinco milhões de anos, como resultado das erupções vulcânicas submarinas, nos dá, hoje, a sensação de estar vivendo uma viagem ao passado. Cavernas, mares bravos, vulcões e florestas os presenteiam com a presença de animais estranhos e únicos, além de um relevo árido como um deserto seco.

Tanta particularidade inspirou o naturalista inglês Charles Darwin, em 1835 (um século depois das ilhas serem exploradas pelo bispo de Panamá, Tomás de Barlanga) a passar cinco semanas na região observando e anotando tudo que via, num estudo profundo dos seres e da vida. Darwin fez daquelas terras seu laboratório vivo de uma das teorias humanas mais debatidas nos dias de hoje: a Evolução da Espécie. Segundo ele, os animais alterariam as suas características para se adaptar a um novo ambiente, que se transformaria constantemente pelas profundas forças geológicas e climáticas da natureza. Quase 180 anos depois da visita do biólogo, Galápagos é um dos poucos lugares do planeta ainda pouco afetado pela devastação humana. Cerca de 95% do arquipélago é área de preservação.

Viajar ao Arquipélago de Galápagos não é só fazer turismo, mas embarcar em uma espécie de expedição científica e histórica em busca da imaculada natureza revelada.

O que parece selvagem é puro encanto

Galápagos é, hoje, um dos poucos lugares do mundo onde a natureza é soberana. O respeito à terra, ao mar, as espécies e a evolução é exigido e percebido no primeiro segundo que o turista desembarca na ilha de Baltra, no arquipélago. O ser humano é apenas um mero espectador frente a um dos maiores espetáculos de cores, formas e sons exibidos pela natureza.

O meio ambiente terrestre e marinho das ilhas oferece uma variedade singular de paisagens e animais, que seduz gerações de turistas, além de historiadores, cientistas e fotógrafos.

Mas não há nada tão surpreendente e encantador do que poder se aproximar dos animais e ter que conter a forte tentação de tocá-los. Tão próximos e tão indiferentes a qualquer um. Como eles não se sentem ameaçados e não estranham a presença humana, ficam ali, como se não existisse alguém próximo ou os admirando, sem dar a mínima importância.

Somente em Galápagos é possível ver iguanas ou lobos-marinhos cruzando os caminhos dos turistas, sem que qualquer presença alheia possa fazer alguma diferença. Parece, inclusive, que posam para uma bela fotografia, num cenário selvagem, mas que é puro encanto.

A história preservada

Rodeado por mais de 45 mil km2 de reserva marinha, o arquipélago, cujo nome oficial é Colombo, é formado por 13 grandes ilhas vulcânicas, seis ilhas pequenas e 107 rochas e ilhotas, formatando uma área total de 8.010 km2.  Entre as mais visitadas estão Española, Floreana, Santa Cruz, Isabela, Fernandina e Bartolomé.

O nome Galápagos surgiu pela presença forte de uma espécie de tartarugas tamanho família, que pesam cerca de 300kg, e podem ser vistas andando sem pressa alguma nas ilhas Santa Cruz, San Cristóbal e Isabela.

O arquipélago isolado e em plena zona equatorial, onde se calcula a maior insolação na terra, é palco de pinguins, leões-marinhos e iguanas, que perambulam por seus longos trechos de terra e desertos, de costões e grandes rochas, num aspecto incrível que nos remetem a imagens de um filme de ficção científica.

As Galápagos foram declaradas parque nacional em 1959. A Unesco incluiu Galápagos na lista de Patrimônios da Humandade em 1978 e em dezembro de 2001, a declaração foi ampliada para reserva marinha. Assim é o Arquipélago Galápagos, governado pelas forças da natureza e localizada na linha do Equador. Um dos grupos de ilhas com mais vulcões ativos no mundo.

Como chegar: Para chegar a Quito, capital do Equador, pode-se optar por vôos da Taca, que saem do Rio de Janeiro, São Paulo ou Porto Alegre. Os vôos para Galápagos saem de Quito, pela equatoriana Tame e pousam na ilha de Baltra. Há um transfer que leva os turistas, do aeroporto à beira das embarcações.

O que pagar: Para entrar em Galápagos, é cobrada uma taxa de US$ 100. Para os cidadãos do Mercosul, US$ 50.

Onde ficar: As cidades mais próximas de Galápagos são Guayaquil e Quito. Hospedar-se nessa região é muito barato, com diárias a partir de R$ 10 em albergues – Guayaquil ou albergues – Quito.

Quando ir: De junho a novembro é o melhor período de mergulho por causa da quantidade maior de peixes. De dezembro a abril, é mais ensolarado, mas ocorrem pancadas de chuva quase diárias.

Não deixe de visitar: Na Estação Científica Charles Darwin – base de operações para o parque nacional – vivem, em regime de liberdade vigiada, algumas tartarugas gigantes. O turista pode chegar muito perto delas e tirar foto.

Prepare-se: Leve uma mochila pequena com protetor solar e máquina fotográfica durante os passeios. Carregue uma garrafa d’água e não a jogue fora, reabasteça sempre a mesma.

Badalação noturna: Há vários bares e danceterias no povoado de Puerto Ayora, na Ilha de Santa Cruz.

Câmbio: O dólar norte-americano é a moeda oficial.

 

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